O Mexilhão-dourado e a Amazônia

Pesquisa e Roteiro:
Arthur Corrêa de Almeida
(Biólogo e Divulgador Científico)

O que é a Amazônia?

Todo mundo tá cansado de saber (pelo menos na teoria) o que é e porque a Amazônia é importante. Podemos falar sobre extensão, variedade biológica e geomorfológica (a Amazônia são muitas) e impacto no clima continental (conteúdo do documentário “Eu Sou a Água”) – e na pluviosidade do sudeste, impacto na produção agrícola e abastecimento das reservas subterrâneas de água nas capitais do sudeste, inclusive derrubando mitos tipo “a Amazônia é o pulmão do mundo…”

A Floresta Amazônica é uma floresta latifoliada úmida, de clima equatorial, que cobre a maior parte da Bacia Amazônica, na América do Sul. Esta bacia – a maior bacia hidrográfica do mundo – abrange 7 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 5 milhões e meio de quilômetros quadrados (reduzidos diariamente em ritmo vertiginoso) são cobertos por floresta tropical – área que representa mais da metade da área total de florestas tropicais remanescentes no planeta e que compreende a maior biodiversidade em uma floresta tropical no mundo. Esta região é compartilhada por nove países sul-americanos: Brasil (com 60% do território da floresta), Peru (com 13%), Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. No Brasil, a Floresta abrange três das cinco divisões regionais do país (Norte, Nordeste e Centro-Oeste), sendo o maior bioma terrestre do país. A Floresta Amazônica foi considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em 2000 (com extensão em 2003), Patrimônio da Humanidade.

O relevo amazônico é formado de planícies de inundação (várzeas), planalto amazônico e escudos cristalinos; e, na maioria dos casos, não apresenta altitudes acima de 200 metros. Contudo, o Pico da Neblina, considerado o ponto mais alto do Brasil, localiza-se no norte do estado do Amazonas com altitude de 3.014 metros. A diversidade topográfica dá origem, entre outras características, à surpreendente variedade ecológica da Floresta, que apresenta um conjunto de ecossistemas dispersos nas florestas existentes, a saber: Floresta de Várzea, Floresta de Igapó, Floresta de Igarapé, Floresta de Terra Firme e Floresta Montanhosa Andina.

A região é o lar de cerca de 2,5 milhões de espécies de insetos, dezenas de milhares de plantas e cerca de 2.000 aves e mamíferos. Até o momento, pelo menos 40.000 espécies de plantas, 3.000 de peixes, 1.294 aves, 427 mamíferos, 428 anfíbios e 378 répteis foram classificadas cientificamente na região. Um em cada cinco de todos os pássaros no mundo vivem nas florestas tropicais da Amazônia. Os cientistas descreveram entre 96.660 e 128.843 espécies de invertebrados só no Brasil.

A diversidade de espécies de plantas é a mais alta da Terra, sendo que alguns especialistas estimam que um quilômetro quadrado amazônico pode conter mais de mil tipos de árvores e milhares de espécies de outras plantas superiores. De acordo com um estudo de 2001, um quarto de quilômetro quadrado de floresta equatoriana suporta mais de 1.100 espécies de árvores.

Um quilômetro quadrado de floresta amazônica pode conter cerca de 90.790 toneladas métricas de plantas vivas. A biomassa da planta média é estimada em 356 ± 47 toneladas ha−1. Até o momento, cerca de 438 mil espécies de plantas de interesse econômico e social têm sido registradas na região, com muitas mais ainda a serem descobertas ou catalogadas.

Durante muito tempo, pensou-se que a floresta amazônica havia sido sempre pouco povoada, já que seria impossível sustentar uma grande população através da agricultura, devido à aparente pobreza do solo da região. No entanto, recentes descobertas antropológicas – como os geoglifos e megalitos – têm sugerido que a região amazônica chegou a ser densamente povoada. Cerca de 5 milhões de pessoas podem ter vivido na Amazônia no ano de 1500, divididos entre densos assentamentos costeiros, tais como em Marajó, e no interior. Estudos recentes apresentam provas de que a floresta amazônica, em vez de ser uma selva virgem, foi moldada pelos humanos há pelo menos 11000 anos, através de práticas como a jardinagem florestal e a terra preta.

No Brasil, para efeitos de governo e economia, a Amazônia é delimitada por uma área chamada “Amazônia Legal” definida a partir da criação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), em 1966.

Estudos recentes (dá pra entrar um recorte da capa do artigo, igual outros produtores de vídeo fazem) associam a região amazônica (e a floresta) como fornecedora de pelo menos 25% de todas as chuvas da região sudeste e centro-oeste. Considerando o nível crítico das bacias hidrográficas do sudeste, quaisquer ameaças ao equilíbrio da floresta pode impactar diretamente a agricultura e vida nos maiores centros urbanos do país.

Relatório do WWF e do Instituto Mamirauá para o Desenvolvimento Sustentável do Brasil informa que em 2 anos 381 novas espécies da Amazônia foram descobertas. O relatório, publicado em 2017, é o terceiro de uma série e cobre os anos 2014 e 2015. O trabalho alerta que todos os animais e plantas foram encontrados em áreas com risco de atividade humana. 

São 216 plantas, 93 peixes, 19 répteis, 20 mamíferos, 32 anfíbios, e um novo pássaro.

Ameaças à Amazônia

Expansão da fronteira agrícola/urbanização/obras estruturais

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, faz o monitoramento da Amazônia desde 1988. As imagens são obtidas via satélite e o nível de precisão é de 95%, segundo o próprio instituto.

Um sistema mantido pelo governo federal para fiscalizar alertas de focos de desmatamento no Brasil mostra que o índice de desmatamento relativo ao mês de junho é o segundo maior já registrado pelo programa e só perde para o índice verificado no mesmo período em 2016.

O território da Amazônia Legal desmatado chegou a 769 km² entre 1º e 28 de junho, segundo dados atualizados do sistema Terra Brasilis, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os números disponíveis no começo da tarde desta terça-feira (2) ainda não consideravam os dados de sábado (29) e domingo (30). No mês anterior, o desmatamento foi de 735 km². Em junho de 2016, o desmatamento foi de 951 km².

O Brasil desmatou 11% de sua área de florestas entre 1985 e 2017 – ao todo, a área equivale a 2,6 estados de São Paulo. Desse total, 61,5% foram perdas de floresta na Amazônia.

A Fronteira agrícola Amazônica é uma área de ocupação e extensão de atividades ligadas à agropecuária na Amazônia legal brasileira. A fronteira abrange áreas do norte, nordeste e centro-oeste brasileiro.[1][2] No meio acadêmico pode ser conhecida como Arco do Desflorestamento, em função da intensa atividade predatória existente na fronteira.

A seca registrada em 2014 no centro-sul do Brasil pode estar intimamente relacionada com a degradação ambiental na floresta amazônica. Estudos indicam que a poluição em Manaus e as queimadas e desmatamentos na mata não afetam apenas as chuvas na região, cujo ciclo já foi comprometido.

O primeiro alerta foi publicado na revista Nature em 2012 pela Universidade de Leeds, na Inglaterra. De acordo com o estudo, mais de 600 mil quilômetros quadrados de floresta foram perdidos desde a década de 1970, e a tendência atual prevê perda de até 40% da floresta até 2050, quando as chuvas poderiam acabar reduzidas em 21% no período de seca.

Além de fornecer água para a produção de energia hidrelétrica no Brasil, a floresta amazônica também funciona como um sumidouro de carbono, função que poderia acabar comprometida pela diminuição das chuvas e aumento das temperaturas. Mas não é só isso. “Nosso estudo sugere que o desmatamento poderia ter consequências catastróficas para as pessoas que vivem a milhares de quilômetros de distância”, escreveu Dominick Spracklen, um dos autores da pesquisa. “A floresta mantém chuvas sobre as regiões agrícolas importantes do sul do Brasil, que podem acabar comprometidas”

Mudanças Climáticas

O aquecimento global registrado atualmente supera em velocidade e extensão qualquer evento climático registrado nos últimos 2 mil anos.

Em artigo publicado na revista Nature, cinco pesquisadores afirmam que nem mesmo episódios históricos como a “Pequena Era do Gelo” – resfriamento acentuado registrado entre os anos 1300-1850 – se comparam com o que está acontecendo no momento no mundo.

Ao examinarem a história climática do mundo nos últimos séculos, pesquisadores identificaram vários episódios importantes que se destacaram. Eles variaram desde o “Período Quente Romano”, que registou, entre 250 d.C. e 400 d.C., um clima excepcionalmente quente em toda a Europa, até a famosa Pequena Era do Gelo, quando as temperaturas baixaram durante séculos seguidos a partir de 1300

Poluição

A alta concentração de gás carbônico na atmosfera, gerada pelo uso de combustíveis fósseis, como os derivados do petróleo, está dando uma nova cara à floresta amazônica. De acordo com um estudo publicado em 2007 na revista científica Nature, a poluição atmosférica estaria alterando o ritmo de crescimento das árvores, mesmo em áreas remotas da floresta.  O estudo é parte do Experimento em Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) em parceria com instituições de pesquisa americanas e européias.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e do Smithsonian Tropical Research Institute, do Panamá, analisaram, durante 15 anos, uma área de cerca de 300 quilômetros quadrados da Amazônia, ao norte de Manaus.

Neste período observaram uma ampla modificação na composição das árvores.  A pesquisa constatou que as árvores estão morrendo mais cedo e sendo substituídas por árvores jovens mais rapidamente. A longo prazo, isso pode indicar que a floresta corre o risco de perder biodiversidade. A predominância de árvores jovens pode significar, ainda, a redução da capacidade da floresta de retirar dióxido de carbono da atmosfera.

Segundo o artigo na Nature, a causa mais provável dessas mudanças é a concentração de gás carbônico na atmosfera. Os pesquisadores acreditam que esse excesso de gás carbônico está aumentando a competição por luz, água e nutrientes do solo, beneficiando as espécies com ritmo de crescimento acelerado.

O impacto da poluição emitida na cidade de Manaus sobre a floresta amazônica é revelado em pesquisa internacional com a participação do Instituto de Física (IF) da USP. Os poluentes urbanos de Manaus, levados pelos ventos, possuem substâncias que reagem com a composição da atmosfera amazônica e geram partículas conhecidas como aerossóis secundários. As medidas feitas no estudo mostram que na região de floresta houve um aumento de até 400% na produção de aerossóis secundários, que modificam a incidência da radiação solar sobre a mata e alteram a taxa de fotossíntese e os mecanismos de formação de chuva, entre outros efeitos. A pesquisa é descrita em artigo publicado na revista Nature Communications.

De acordo com o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF) da USP, um dos autores do artigo, o aumento da produção de aerossóis secundários na floresta é causado principalmente pelas altas emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) em Manaus. “A interação dos NOx com radicais livres produz também altas concentrações de ozônio (O3), um forte poluente fitotóxico, que afeta os estômatos das folhas e reduz a absorção de carbono da floresta amazônica”, acrescenta.

Relações predatórias de consumo (exemplo: exploração ilegal de madeira)

A Amazônia brasileira abriga um terço das florestas tropicais do mundo. As estimativas de estoque mais modestas indicam um valor de 60 bilhões de m³ de madeira em tora de valor comercial, o que coloca a região como detentora da maior reserva de madeira tropical do mundo.

As práticas atuais de exploração na Amazônia podem ser caracterizadas como operações de “garimpagem florestal”. Inicialmente, os madeireiros entram na floresta para retirar as espécies de alto valor (poucos indivíduos por hectare). Se essa floresta explorada pudesse se recuperar, a cobertura do dossel e o estoque de madeira retornariam naturalmente às mesmas condições de antes da extração. No entanto, os madeireiros normalmente voltam a entrar nas áreas exploradas em intervalos curtos para retirar indivíduos menores de certas espécies de alto valor. Isto resulta na abertura de novas estradas e trilhas de arraste e, conseqüentemente, na deterioração ainda maior da floresta. Os impactos ambientais nas explorações mais intensivas são significativos: aproximadamente 30 árvores com mais de 10cm de diâmetro são danificadas para cada árvore extraída, e a cobertura do dossel da floresta, geralmente reduzida de 80-90% em florestas não exploradas passa para 50% após a exploração.

A floresta tropical é objeto da exploração econômica pela possibilidade de extração de madeira, caça e matéria prima para materiais de construção.

A derrubada de árvores está intimamente ligada à construção de rodovias e a movimentos migratórios. O acesso rodoviário facilita a entrada na mata e a extração seletiva de madeira.

As áreas que foram objeto de extração seletiva têm maior chance de serem ocupadas por novos moradores e de sofrerem corte raso para o cultivo de pasto ou grãos. 

Por outro lado, as áreas de floresta com maior dificuldade de acesso permanecem intactas e têm menos chances de serem ocupadas.

Embora existam leis que autorizem a exploração madeireira em áreas específicas, a extração ilegal de madeira está amplamente difundida no Brasil e em vários países amazônicos.

As operações extrativas ilegais acontecem em áreas florestais remotas e caracterizam-se por qualquer um dos seguintes aspectos: 

  • Uso de licenças falsas;
  • Corte de qualquer árvore comercialmente valiosa, independentemente de quais árvores sejam protegidas por lei;
  • Corte em quantidades superiores às cotas permitidas por lei;
  • Corte fora de áreas de concessão florestal;
  • Corte dentro unidades de conservação e terras indígenas.

Potencial para mineração

A mineração na Amazônia brasileira remonta aos bandeirantes, com a busca e extração de ouro no Mato Grosso, em Cuiabá, no Tocantins, em Dianópolis e no Maranhão, em Gurupi. Devido a sua formação geológica, de uma grande bacia sedimentar que se estende de leste a oeste, do Atlântico aos Andes, cercada, a norte e sul, por terrenos cristalinos dos escudos das Guianas e Brasil, os metais preciosos, principalmente a prata, eram encontrados na cordilheira andina, mas não em território amazônico. Soma-se a isto a dificuldade em penetrar na densa floresta, a partir dos grandes rios navegáveis, para atingir as áreas dos terrenos cristalinos, hospedeiros principais dos depósitos de metais.

Tal conformação natural fez com que a mineração na Amazônia só tivesse impulso no século 20, com a descoberta de manganês na Serra do Navio, no Amapá, ouro, no Tapajós, e, ao final da década de 1960, o ferro de Carajás, no Pará. Estas descobertas motivaram políticas públicas de pesquisa e fomento da atividade de mineração na Amazônia, na década de 1970, como o projeto RADAM, que levaram a novas descobertas, como o nióbio de Seis Lagos, no Amazonas, o caulim do rio Capim, no Pará, o estanho de Bom Futuro, em Rondônia e no Pitinga.

A mineração causou a perda de 11.670 km² quilômetros da floresta amazônica entre os anos de 2005 e 2015. É como se 11 cidades de São Paulo de vegetação desaparecessem em uma década causados, direta ou indiretamente, pela atividade econômica. Os dados foram divulgados em 2017 pela revista Nature Communications. O Estudo analisou imagens espaciais do PRODES, programa responsável pelo monitoramento anual da Amazônia Legal, e mudanças no entorno de 50 locais de mineração da Amazônia.

Apesar do número grandioso, a perda da floresta pela mineração representa apenas 9% do total desmatado no período. O estudo afirma que a mineração causa desmatamento dentro e além dos limites da locação. Logo, a pesquisa leva em conta não só o impacto direto da atividade nos locais onde a floresta é cortada para a exploração mineral, mas sim, todo o desmatamento sofrido para o andamento de toda a operação.

Apesar de ter entrado em declínio a partir de 1985, o garimpo de ouro em minas de aluvião nas margens e leito do rio Madeira tem deixado um rastro de poluição por metais tóxicos no maior afluente do rio Amazonas.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, em parceria com colegas da Queensland University of Technology, da Austrália, encontrou um nível relativamente alto de mercúrio acumulado em sedimentos de lagos do rio Madeira – gerado pela extração artesanal de ouro.

Os resultados das análises indicaram que, embora as formações geológicas e do solo dos ecossistemas amazônicos influenciem o transporte de mercúrio nos lagos do rio Madeira, o garimpo de ouro de aluvião tem uma grande parcela de contribuição na geração do metal encontrado nessa bacia.

Os pesquisadores constataram que os sedimentos de fundo dos lagos apresentavam concentrações significativamente mais elevadas de mercúrio do que as rochas circundantes – o que afasta a hipótese dessas últimas serem a fonte de emissão do metal.

Espécies invasoras

É difícil controlar as espécies invasoras. Elas quase sempre são introduzidas – inadvertidamente ou não – pelo homem. E a maioria das pessoas desconhece que aquelas plantas e animais tão bonitos tenham se tornado uma ameaça ambiental. Não são todos que entendem, por exemplo, que no Rio saguis precisam ser capturados e removidos para locais onde não representarão uma ameaça a outras espécies. Ou que gatos domésticos não devem andar por florestas.

Milhares de espécies de peixes que habitam os rios amazônicos podem estar com seus dias contados. Sem realizar consultas a órgãos federais, instituições ligadas ao meio ambiente ou mesmo à população, o governo do Amazonas sancionou em 2016 uma lei que permite a criação de peixes não nativos em rios que cortam o Estado do Amazonas.

Pelo texto da lei ordinária 79/2016, sancionada pelo governador José Melo (PROS), fica liberado o cultivo de espécies exóticas nos rios da região, bastando uma autorização do órgão estadual competente. A lei permite ainda o barramento de igarapés e a autorização de empreendimento de criação em áreas de preservação permanente, “quando de interesse público”.

Na Amazônia, as informações sobre as invasões são ainda mais incipientes. Em um estudo publicado em 2015 foram analisadas e classificadas em categorias de risco as espécies animais e vegetais exóticas potencialmente invasoras registradas para a Amazônia Legal. Baseando-se nas informações disponíveis no banco de dados temático sobre espécies exóticas invasoras (I3N) da Rede Inter-Americana de Informação sobre Biodiversidade (IABIN), gerenciado no Brasil pelo Instituto Hórus, registrou-se 75 espécies exóticas invasoras, ou potencialmente invasoras para a Amazônia, sendo 31 de plantas e 44 de animais, totalizando 1.148 ocorrências. Apesar da maioria das espécies serem consideradas de baixo risco, essas podem oferecer sérios problemas ambientais e econômicos, caso não sejam tomadas medidas de controle e erradicação. Para as registradas como de médio e alto risco o alerta precisa ser expedido, pois nesses níveis de invasão fica altamente custoso controlar o avanço ou erradicar o último propágulo. Assim, diagnósticos e planos preventivos devem entrar na agenda científica e institucional da região para prevenir os problemas causados pelas invasões biológicas.

A criação de peixes exóticos é um dos fatores cruciais para o crescimento da piscicultura no Brasil. No entanto, se o manejo não for realizado de forma adequada, pode trazer consequências ruins para espécies nativas, como acontece hoje no Amapá. No Estado, a tilápia-do-nilo compete com outros peixes na região da Bacia Igarapé Fortaleza.

Um levantamento realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Amapá (Embrapa Amapá) e publicado em 2016 mostrou que 72% dos peixes capturados no local são da espécie tilápia-do-nilo. “Um aumento significativo em relação aos dados de 2001, quando a espécie chegou ao Amapá. Ela conseguiu se adaptar muito bem ao ambiente”, diz. Em 2011, a tilápia-do-nilo, junto com as carpas, foi responsável por quase 64% da produção peixes produzidos no País.

Além do aumento da população da espécie exótica invasora, que pode levar a competição por alimento e até pela própria vida, a Embrapa chama a atenção para parasitas que acompanham a espécie, que podem se reproduzir e infectar os peixes nativos, que não estão adaptados para o hospedeiro. 

Tilápia-do-Nilo

Como consequência de fugas e / ou libertações intencionais de Tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) de pisciculturas, houve invasão e estabelecimento bem-sucedido dessa espécie exótica de peixe na bacia hidrográfica do rio Igarapé Fortaleza, um afluente do rio Amazonas no Estado do Amapá – um ecossistema natural, área de refúgio, alimentação e reprodução das espécies nativas de peixes ciclídeos. A invasão de O. niloticus está pressionando as populações de ciclídeos nativos que estão em um baixa densidade populacional, pois 72,7% dos peixes ciclídeos (nativos e não nativos) capturados na região são as tilápias invasoras. Os resultados indicam a necessidade de um plano de gerenciamento projetado para controlar esta tilápia invasiva e, assim, evitar a extinção de espécies nativas de ciclídeos. 

A invasão de O. niloticus nas planícies de inundação da Bacia de Igarapé Fortaleza está comprometendo a abundância de ciclídeos nativos porque esse ambiente é um “berçário” – local de reprodução desses peixes nativos. Existe a necessidade iminente de implementação de um plano de manejo visando à controle populacional dessa espécie invasora, a fim de evitar futuras conseqüências desastrosas para o meio ambiente. No entanto, as opções de controle e gerenciamento de peixes invasivos ainda estão restritos aos meios tradicionais como erradicação de produtos, remoção mecânica, educação e legislação ambiental. 

Búfalo-de-Água

O búfalo-de-água pode não ser a ameaça mais premente para a Amazônia como um todo, mas na planície de inundação do rio eles estão causando sérios danos. A planície de inundação representa menos de cinco por cento da área da Amazônia e não recebe manchetes como a floresta. Mas é um ecossistema único que abriga uma biodiversidade incrível, que agora está sendo ameaçada.

Por mais ou menos seis meses por ano, a planície de inundação é coberta por água (às vezes até nove metros) e mamíferos terrestres, como preguiças de três dedos, se retiram para as copas das árvores, enquanto golfinhos e peixes que comem sementes nadam entre os troncos. Pequenos canais se tornam lagos e áreas arborizadas se tornam ilhas da floresta.

Os agricultores locais que vivem em casas de madeira com palafitas que cultivam vegetais na planície fértil passam a estação chuvosa mantendo o búfalo de água fora de seus jardins. O número de búfalos na área está aumentando ano a ano e cresceu 13% ao ano entre 1975 e 2000, em comparação com um aumento anual de quatro por cento no gado no mesmo período. Os búfalos foram introduzidos na Amazônia há cerca de 200 anos. Existem explicações variadas sobre como eles chegaram, alguns dizem que um barco para a Guiana naufragou e o búfalo nadou até a ilha de Marajó e outros dizem que foram trazidos por missionários católicos. Mas, por mais que tenham chegado, agora estão causando danos significativos.

O ecologista da Amazônia Gil Serique disse: “Eles comem tudo o que é verde, incluindo os nenúfares gigantes e, por serem muito pesados, comprimem o solo, o que altera o padrão de drenagem”.

Os búfalos, que são usados ​​para leite e carne, também criam problemas para os peixes, porque comem ilhas flutuantes de ervas daninhas nas quais os peixes se alimentam e se reproduzem. Serique disse que o búfalo causa problemas ao pisar na vegetação, que leva mais tempo para se recuperar. A criação de búfalos também está ligada ao desmatamento, porque quando a água fica muito profunda, os proprietários transferem seus rebanhos para áreas além da planície de inundação, que precisam ser limpas para esse fim.

Os búfalos são mais produtivos que os bovinos, capazes de pastar com mais eficácia e por mais tempo durante o período de inundação e são menos suscetíveis a doenças transmitidas pela água, o que os torna uma opção atraente para os pecuaristas. Isso significa que os problemas ambientais causados ​​pelos rebanhos de búfalos e os conflitos entre agricultores aráveis ​​e búfalos provavelmente continuarão.

 Mexilhão-dourado

O Mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei – Dunker, 1758) é um molusco de água doce que chegou à América do Sul no início dos anos 90. Hoje está espalhado nas bacias dos rios da Plata, Uruguai e Paraguai e também está presente no rio Tietê e no sistema da Lagoa dos Patos. o Mexilhão Dourado tem a capacidade de entupir os canos, causando perdas para usinas hidrelétricas e empresas de abastecimento de água.

Além disso, este mexilhão é um engenheiro de ecossistemas muito eficiente, modificando elementos físicos e bióticos nos ecossistemas onde ocorre. Sua alta tolerância a diferentes ambientes, juntamente com a assistência humana através da descarga de água de lastro e transporte nos cascos dos barcos, possui uma grande possibilidade de sua introdução nas águas da Amazônia. Na tentativa de responder a esse risco, algumas medidas foram tomadas; entre eles, a descarga de cloreto na água tem sido ineficaz na morte de mexilhões e está comprometendo outros organismos aquáticos. O governo federal brasileiro e a Marinha estão tomando precauções contra a sua disseminação, e pesquisadores brasileiros estão estudando a biologia do mexilhão dourado, a fim de encontrar uma maneira de matá-lo sem prejudicar o meio ambiente.

No entanto, a situação ainda não está totalmente sob controle; a educação pode ser a única maneira de impedir que o mexilhão dourado se disperse para o norte da cidade de Cáceres, no pantanal brasileiro, o atual limite norte de sua distribuição.

A invasão do mexilhão-dourado no Brasil ocorreu praticamente na mesma época em dois locais e caminhos diferentes. Primeiro em 1998, no rio Paraná, em Mato Grosso do Sul no centro-oeste do Brasil [4], através da migração de espécimes do rio da Plata. A população de mexilhões começou a subir os rios Paraná e Paraguai, auxiliados pelo tráfego pesado de navios. No mesmo ano, foi introduzido no rio Jacuí, perto de Porto Alegre, sul do Brasil, provavelmente através da água de lastro. Em 2000, já era presente na Lagoa dos Patos e no rio Guaíba. Hoje está presente em rios, lagoas e reservatórios de água no Mato Grosso do Sul, São Paulo e no sul Brasil.

Em 2001, o L. fortunei foi detectado em uma das maiores usinas hidrelétricas no mundo, a usina de Itaipu. Mais de 80% da eletricidade que alimenta as cidades brasileiras vem de fontes hidrelétricas. Com uma barragem de 8 km de extensão e uma produção de 97.000.000 MW/ano, Itaipu represa o rio Paraná, que é o 10º maior rio em termos de volume de água do mundo e uma grande quantidade de água recursos para três países, Brasil, Paraguai e Argentina. O rio Paraná é um dos principais afluentes do rio da Plata, onde a invasão começou há mais de 20 anos atrás. Quando o mexilhão dourado foi detectado pela primeira vez na usina de Yacereta, na fronteira do Paraguai e Argentina, em 1998, técnicos da Itaipu, a montante, ficaram preocupados e estabeleceram um programa de monitoramento de larvas e adultos no rio a jusante da barragem. Para sua surpresa, eles encontraram o primeiro L. fortunei preso à grade de aço que protege a entrada de água bruta no lago, a montante da barragem, em 2001. O inimigo veio por trás.

Desde sua primeira aparição na América do Sul, os cientistas calcularam que a velocidade de dispersão de L. fortunei é de 240 km/ano à montante. É muito improvável que essa taxa rápida seja alcançada apenas pela dispersão das larvas nas correntezas desses rios muito grandes. Deve haver um caminho alternativo para o mexilhão dourado se dispersar a montante, mas o que seria?

Pequenos barcos de pesca e canoas são amplamente utilizados como transporte para a pesca esportiva no Brasil – o ano todo. Pescadores se deslocam de um rio para outro procurando as melhores capturas e transportam seus barcos em veículos motorizados. Técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Recursos (IBAMA) finalmente perceberam que os mexilhões estavam pegando carona nos cascos desses pequenos barcos. Embora mal documentado, esse ainda é a principal forma de dispersão para o L. fortunei no Brasil.

Darrigran & Damborenea observaram que o L. fortunei não é apenas uma espécie invasora agressiva, mas também um engenheiro de ecossistemas muito eficaz.

Quais seriam as consequências se ela chegasse à bacia amazônica, região com 7 milhões km2, quase tão grande quanto os Estados Unidos? Esta bacia inclui territórios pertencentes a nove nações diferentes: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, e contém mais da metade de todas as florestas tropicais restantes no mundo.

Em um estudo para prever a expansão do mexilhão dourado no rios brasileiros, os pesquisadores concluíram que os locais na bacia amazônica, incluindo a seção superior dos afluentes do sul da Amazônia, como os rios Tapajós, Teles Pires e Araguaia são adequados para a ocorrência de L. fortunei em termos de condições limnológicas. A história da invasão mostra ainda que a espécie é introduzida em águas com baixos níveis de salinidade: portanto, portos localizados em águas doces, como Manaus e Belém, devem permanecer alertas.

A bacia do rio Paraná, onde o mexilhão dourado está espalhado, faz fronteira com várias outras bacias hidrográficas importantes no Brasil, principalmente Francisco, Tocantins e Amazônia. A proximidade destes bacias indica com que facilidade o mexilhão dourado pode chegar às águas da Amazônia.

Por cerca de 1.480 km, o rio Teles Pires corre de Mato Grosso até o confluência com o rio Tapajós, na fronteira do estado do Pará. O rio Tapajós pertence à bacia do rio Amazonas e, se o mexilhão dourado atinge sua fronteira, é apenas uma questão de tempo até que se estabeleça lá.

O mexilhão-dourado, Limnoperna fortunei (Bivalvia: Mytilidae), é um molusco asiático de água doce, cuja invasão aos ecossistemas aquáticos de outras regiões do planeta provoca sérios impactos ambientais e econômicos. Desde de a sua chegada ao Brasil, em 1998, o problema vem sendo enfrentado por diferentes setores industriais, desde a captação de água até a geração de energia. Com o passar do tempo, as empresas e as instituições públicas perceberam que as invasões biológicas abrangem um sério problema de escala continental. E por isso necessita de uma política integrada de prevenção, controle e combate ao organismo invasor.

Embora a ameaça do mexilhão dourado possa parecer menor em comparação com as hidrelétricas, o desmatamento e o esgoto das cidades, se chegar à Amazônia, o invasor poderia causar estragos em uma das regiões mais biologicamente diversas do mundo. A Amazônia tem mais espécies de peixes de água doce do que qualquer rio do mundo.

Um estudo analisou quais vias navegáveis ​​brasileiras o mexilhão dourado poderia colonizar e constatou que a Amazônia tem a temperatura certa, níveis de cálcio e acidez.

Especialistas são rápidos em classificar o mexilhão dourado como um “engenheiro do ecossistema” porque ele altera a natureza do sedimento em que se encontra, filtrando os principais nutrientes da água e, ao mesmo tempo, tornando o sedimento circundante mais rico com as fezes. O resultado é uma mudança no equilíbrio do ecossistema, na qual gastrópodes, sanguessugas e insetos aquáticos locais explodem em número, mesmo enquanto as águas invadidas são minadas pelo oxigênio.

As estratégias atuais para manter o mexilhão fora da Amazônia incluem educação, inspeções e regulamentação generalizadas – como exigir que pescadores e outros navios esvaziem seu lastro antes de irem para o rio. Dessa forma, a chance de um carona indesejável chegar à Amazônia é reduzida.

Conclusão

  • Precisamos de legislação adequada e atual para lidar com questões atuais
  • Precisamos de mais fiscalização, órgãos governamentais e organização civil
  • Quem está trabalhando com isso? Algumas entidades e instituições são: DNOCS; Agências de Fomento à Pesquisa – Capes, Finep, BNDES, CNPq; Comitês de Bacia; Ministério de Minas e Energia; Conselho Nacional de Recursos Hídricos; ANA; ICMBio; IBAMA; Ministério do Meio Ambiente; Ministério Público Federal; e o CBEIH.

O Centro de Bioengenharia de Espécies Invasoras de Hidrelétricas (CBEIH), localizado em Belo Horizonte, MG, baseia sua metodologia de trabalho apoiado em um tripé inovador: Monitoramento, Bioengenharia e Modelagem Ambiental. A detecção rápida da chegada de um organismo invasor é fundamental, pois permite o controle de subpopulações enquanto elas ainda são pequenas o suficiente para serem erradicadas.

Chega à quarta edição o Fórum de Discussão “Impactos Econômicos e Ambientais de Espécies Invasoras” realizado pelo Centro de Bioengenharia de Espécies Invasoras (CBEIH). Nesta edição, o tema do evento é o das Inovações Impulsionadas pelas Invasões Biológicas.

Desde a primeira edição, em 2014, o Fórum conta com a participação de pesquisadores, indústria, e estudantes e empresas e discute a questão das espécies invasoras com abordagem complexa, sistêmica e multidisciplinar. 

Nesta edição, serão discutidas as tecnologicas e inovações surgidas ou impulsinadas pelas invasões biológicas. As palestras e mesas redondas terão a participação de grandes nomes nacionais e internacionais em temas como Ecologia, Bioengenharia, Biomimética, Robótica, Biologia Molecular, Biomateriais, Invasões Biológicas, Antropologia e Sociedade, entre outros.

Entre esses nomes, destacamos a seguir:

Professor Dr. Stanislav N. Gorb

Dr. Gorb é coordenador do Grupo Functional Morphology & Biomechanics (Morfologia Funcional e Biomecânica) na Kiel University (Alemanha). Sua pesquisa se concentra na morfologia, estrutura, biomecânica, fisiologia e evolução dos sistemas funcionais relacionados à superfície em animais, bem como no desenvolvimento de superfícies e sistemas tecnológicos inspirados biologicamente. Dr. Gorb é autor de quatro livros, mais de 200 artigos em periódicos revisados por pares e quatro patentes. Seus prêmios incluem Prêmio de Ciência da Associação de Doadores para a Promoção da Ciência e Humanidades na Alemanha (Stifterverbandpreis für die Deutsche Wissenschaft), Prêmio de Ouro de Design do Fórum Internacional e Prêmio Materialica “Best of”. É membro da Academia de Ciências e Literatura de Mainz e da Academia Nacional de Ciências Leopoldina e editor da revista Zoology (Elsevier).

Professora Dra. Patricia Howard

Dra. Howard é Professora da Universidade de Wageningen e Professora Honorária da Universidade de Kent, bem como Coordenadora do Capítulo 6 para Avaliação Global de Espécies Exóticas Invasoras do IPBES. Desde 2008 lidera uma iniciativa de colaboração científica e política em andamento sobre Adaptação Humana à Mudança da Biodiversidade. O Projeto de Adaptação Humana à Mudança da Biodiversidade, baseado na Escola de Antropologia e Conservação da Universidade de Kent, apresenta a adaptação humana à mudança da biodiversidade como uma questão de política científica, onde a adaptação implica mudanças na gestão da biodiversidade e nos regimes de uso de recursos relacionados.

Professor Dr. Matthew J. Harrington

Dr. Harrington é Professor Associado no Departamento de Química da Universidade McGill,  Pesquisador Tier 2 do Canadá e co-diretor do Instituto McGill de Materiais Avançados (MIAM). Em 2008, recebeu seu Ph.D. da University of California, Santa Barbara, no laboratório de J. Herbert Waite, seguido por uma bolsa de pós-doutorado Humboldt no Instituto Max Planck de Colóides e Interfaces no Departamento de Biomateriais, onde mais tarde foi líder de grupo de pesquisa de 2010 a 2017. Sua pesquisa é focada em compreender as relações de propriedade bioquímica na função e formação de materiais biológicos e aplicação de princípios de design extraídos para o desenvolvimento e produção sustentável de materiais bioinspirados.

Professor Dr. Jordan H Boyle

Dr. Boyle é professor da Universidade de Leeds na área de Sistemas de Engenharia no departamento de Engenharia Mecânica, e integra o iDRO – Instituto de Design, Robótica e Otimização e o Grupo Real Robotics UK. Sua pesquisa na área de robótica é focada no desenvolvimento de robôs bioinspirados, com foco específico em Controle e Mecânica da Locomoção. Alguns de seus principais trabalhos envolvem a modelagem da base neuro-mecânica para locomoção do Nematóide C. elegans, em colaboração com a área de biologia experimental. Jordan Boyle é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade da Cidade do Cabo (África do Sul) e Doutor pela Escola de Computação da Universidade de Leeds (Reino Unido).

Dr. Gabriel Antonio Minero

Dr. Minero é especialista em Biotecnologia e Desenvolvimento de Ensaios, em particular para Pesquisa e Diagnóstico de Ácidos Nucleicos, com o objetivo principal de fundir abordagens científicas e industriais para Tecnologia da Saúde. Atualmente trabalha em um projeto sobre sondagem de DNA extracelular em biofilmes no Centro Interdisciplinar de Nanociência em Aarhus (Dinamarca).

Dr. Rubens Lima do Monte Neto

Pesquisador do Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz Minas). É Biólogo, Mestre e Doutor em Farmacologia, respectivamente pela UFPB (2007) e UFMG (2011). Realizou estágio doutoral e pós-doutoral no Centro de Pesquisas em Infectologia do Centro Hospitalar da Université Laval, Québec, QC, Canada. Foi pesquisador visitante na Faculté de Médécine Vétérinaire – Université de Montréal, Saint-Hyacinthe, QC, Canada. Foi bolsista jovem talento (BJT-A programa Ciências sem Fronteiras) e grantee do Instituto Serrapilheira. Desde 2019 tem investido em programas de empreendedorismo, liderando projetos que se destacaram em programas como: InovaLabs (Biominas Brasil e Fiocruz); Programa Inova, produtos inovadores (Fiocruz); Centelha/MG (MCTI/Finep/Fapemig); Lemonade16 (Fundep/UFMG) e Programa de Desenvolvimento de Negócios (Biotechtown). Atua principalmente em projetos de pesquisa envolvendo a descoberta de fármacos antileishmania; diagnóstico molecular e o desenvolvimento de vacina contra as leishmanioses.

Dr. André Lincoln Barroso de Magalhães

Biólogo e Doutor em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre, foi professor do ensino superior privado e federal e atualmente é professor do mestrado em Tecnologias para o Desenvolvimento Sustentável na Universidade Federal de São João Del Rei (campus Alto Paraopeba) lecionando a disciplina Conservação Ambiental. Tem experiência em ecologia reprodutiva e estabelecimento de invertebrados e vertebrados não-nativos de água doce, Ecologia da Conservação com ênfase na ecologia e impactos ambientais como mudança na estrutura de comunidades, homogeneização e diferenciação biótica provocados por espécies não-nativas. Também tem experiência em construção e análise de modelos de risco de invasão e política ambiental relacionada à espécies não-nativas aquáticas.